A progesterona natural na dança dos hormônios esteróides
publicado em 20-11-2005
Hormônio, por definição, é uma substância que é produzida em uma glândula e que pode agir em vários locais do corpo, fora da glândula que a produziu.
Os hormônios esteróides são substâncias que são derivadas do colesterol e, dependendo da glândula onde são formados, eles adquirem uma estrutura diferente. Os hormônios podem, nessa cadeia de formação, ter uma posição intermediária ou uma posição final. Cada um dos hormônios esteroides é desenhado para ter funções específicas. A figura 1 mostra o caminho de síntese dos hormônios esteróides.
Dá para se notar que a progesterona tem nesse desenho uma posição importante.
A síntese dos hormônios é um processo dinâmico. A quantidade dos hormônios é variável e depende do equilíbrio existente em cada organismo.

Esse desenho também mostra que esses hormônios são produzidos continuamente e em quantidades diferentes, conforme a necessidade da fase da vida de cada mulher e, quando não são mais necessários, são metabolizados no fígado para serem removidos do sistema.
É possível, a partir desse desenho do caminho de síntese, destacar que a progesterona sintetizada a partir do colesterol é um hormônio intermediário, comparada com o hormônio produzido na glândula adrenal e a síntese da testosterona, podendo-se dizer que estes hormônios ocupam uma posição final na cadeia de síntese.
Cada um desses hormônios possui um desenho de estrutura que os determina e os individualizam e, a partir daí, é possível definir o conceito de hormônio natural.
Hormônio natural é um hormônio que tem a mesma estrutura química do hormônio que foi produzido no organismo, é reconhecido pelos tecidos, enzimas e receptores celulares podendo ser somado às moléculas semelhantes que foram produzidas pelo organismo.
A definição de hormônio natural significa que a estrutura química do hormônio é idêntica à estrutura do hormônio produzido no corpo. Eles são bioidênticos.
Em contra posição temos o hormônio sintético
A estrutura química do hormônio sintético é diferente da estrutura química do hormônio produzido pelo corpo e portanto na cadeia metabólica ele não é prontamente reconhecido como uma molécula igual, bio-idêntica.
Os caminhos de metabolização são diferentes. A permanência no organismo é maior, já que não fazem parte das vias metabólicas surgidas dos processos de adaptação e sobrevivência por que passou o ser humano.
A progesterona é um hormônio essencial para a vida, mantém o endométrio (mucosa de revestimento do útero) secretor, essencial para o desenvolvimento do feto.
A progesterona, é o hormônio que predomina na segunda fase do ciclo do ovário e quando a secreção de progesterona aumenta, a secreção de estrógeno diminui.
Podemos dizer que a progesterona tem efeitos opostos aos dos estrógenos?
Os estrógenos têm um efeito proliferativo, a progesterona secretora. Os estrógenos são ansiogênicos (dão ansiedade), a progesterona é depressora (efeito calmante).
Os estrógenos retém líquido e a progesterona tem efeito diurético. A mulher começa a ter uma diminuição da produção de progesterona praticamente 10 anos antes dos sintomas da menopausa surgirem, em geral aos 51 anos.
Nessa fase a mulher começa a se tornar relativamente hiper estrogênica, e os efeitos desse hiper estrogenismo podem ser facilmente reconhecidos.
A mulher começa a ficar com o sono superficial, acorda facilmente, a glândula tireóide tem o seu funcionamento diminuído sendo muito comum nessa fase a mulher ter uma tireóide subclinicamente hipo funcionante, isto é, os exames não são tão floridos quanto os sintomas.
A mulher perto dos 40 anos começa a ter uma diminuição de sua produção ovariana e é quando ainda está socialmente em ascensão, e é muito exigida pela família (filhos, maridos) e pelo trabalho.
As modulações de humor a que está mensalmente submetida começam a entrar num patamar linear e descendente. A ansiedade é cada vez maior, assim como as exigências tanto externas quanto internas. A sua função ovariana começa a diminuir, diminuindo lentamente a produção de progesterona (hormônio precursor), muitas vezes tendo como consequência (ou não) a redução também da função da tireóide, e também o consequente aumento da produção de cortisol pela supra renal, que é o hormônio que dá a capacidade de agüentar o stress da vida, que infelizmente é cada vez maior.
A produção da adrenalina também pela glândula supra-renal, em compensação, aumenta, deixando a mulher mais irritada e mais nervosa ainda. Tudo contribui para a famosa frase “mulher a beira de um ataque de nervos”. Enfim, a meu ver, a primeira reposição deve ser feita com a própria progesterona, a natural, para depois, junto com os sintomas ouvidos e vistos na consulta médica, o funcionamento das glândulas ser devidamente avaliado.
Parece complicado, mas não é!!