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Dieta, obesidade e índice glicêmico.

publicado em 23-01-2006

Alimentação, glicose e saúde

O excesso de peso deixou de ser visto como um sinal de saúde, como era antigamente. Na última década, especialmente, passou a ser estudado em profundidade por especialistas de várias áreas da medicina. Uma das razões desse interesse foi o aumento impressionante do número de crianças e adultos obesas e de suas consequências.

O exército de obesos cresceu em todas as classes sociais, sem distinção de sexo ou idade. Com o passar do tempo, a obesidade aumenta as chances de doenças como a hipertensão e a diabete.

Em vários países, a epidemia de obesidade é considerada um problema de saúde pública e é alvo de políticas governamentais na tentativa de prevenir os danos à saúde trazidos pelo excesso de peso.

Felizmente, a medicina já avançou muito no conhecimento dos fatores envolvidos e no detalhamento das consequências do problema. Já se tem certeza de que é uma doença multidisciplinar, ou seja, envolve a ação de diversos fatores. Ela é resultado da combinação de aspectos sociais, comportamentais, emocionais, culturais, metabólicos e genéticos.

E se antes também era vista como um problema relacionado apenas ao comportamento (não se dizia que os gordos eram preguiçosos?), passou a ser compreendida como uma condição crônica, que se desenvolve lentamente. O que não se sabe ainda é que papel os genes desempenham e quais são os outros mecanismos no desenvolvimento da doença.

Os efeitos da perda de peso

O ideal, quando se faz uma dieta, é perder 10% do peso corporal em seis meses e manter essa perda por mais um semestre, pelo menos, para normalizar a pressão arterial e os níveis de gordura e do açúcar no sangue.
A fórmula para uma dieta saudável é que 55% do total de nutrientes consumidos seja de carboidratos. Outros 20% devem ser de proteínas e 25% de gorduras. A dieta deve ser elaborada por uma nutricionista e atender as necessidades individuais.
Fazer atividade física é indispensável na administração do peso. O exercício contribui para a redução do peso e a sua manutenção, além de diminuir a gordura abdominal e melhorar o condicionamento cardiorespiratório. O ideal é iniciar com um programa de atividade física três a cinco dias por semana.

A intensidade deve ser moderada e a atividade mantida por 30 a 45 minutos. O carboidrato, e não a gordura, é o combustível principal para atividades físicas acima de 70% da capacidade aeróbica, a intensidade na qual a maioria das pessoas treina e a gordura só passa a ficar disponível como combustível depois de uns 20 minutos de exercício. Portanto, uma vez por semana deve-se fazer uma atividade intensa durante 30 minutos.

Como escolher os alimentos

A alimentação deve ser variada e inclui frutas, carnes, legumes, folhas e água. Esses alimentos possuem, na sua composição, maior ou menor quantidade de minerais e outros nutrientes, como carboidratos, proteínas e gorduras.

- Carboidratos: As recomendações mais atualizadas sugerem que se deve preferir alimentos com baixo índice glicêmico. O impacto sobre a taxa de açúcar no sangue que esse alimento proporciona é menor.

- Frutas: Deve-se comer cinco tipos de frutas ao longo do dia. É bom lembrar que elas têm um baixo índice glicêmico.

- Gorduras: Sua quantidade na alimentação deve ser moderada. As recomendações atuais sugerem que se deve escolher muito bem o tipo de gordura que se coloca no prato. Dê preferência às gorduras não hidrogenadas e aos óleos vegetais, que são benéficos ao sistema cardiovascular. É interessante notar que a gordura era apontada, até o começo dos anos 90, como a grande vilã da dieta e uma das grandes responsáveis pelo aumento da obesidade. Por isso, seu consumo foi diminuíndo e o de carboidratos refinados, que são mais rapidamente absorvidos, aumentando. As gorduras, bem como as proteínas, também ajudam a absorção dos carboidratos que são convertidos em açúcares na digestão.

- Proteínas: As ideais devem ser provenientes do peixe de água fria como o salmão, o cação, a sardinha, o bacalhau e as menos ideais são as provenientes de carne de origem animal (boi, porco e etc).

Os alimentos e a glicemia

Os carboidratos são as moléculas mais abundantes nos alimentos naturais. Eles representam a principal fonte de energia utilizada nas reações bioquímicas das células. São também a matéria-prima da reserva energética do corpo, que armazena os carboidratos na forma de glicogênio.
Dependendo do tipo do carboidrato, da presença de proteínas, de gorduras e de fibras, a absorção dos alimentos acontece em velocidades diferentes. Os carboidratos mais simples são os monossacarídeos (glicose e frutose) e os dissacarídeos (sacarose, maltose). Exemplos: açúcar branco, farinha branca, arroz branco e os alimentos fabricados com estes, como o pão branco e as massas. São indicados especialmente depois de um treino, pois fornecem energia de uma maneira rápida, necessária para a recuperação do esforço físico.

Os carboidratos mais complexos são os polissacarídeos (amido, glicogênio e celulose). Eles também têm uma boa quantidade de fibras. Exemplos são os cereais integrais (arroz, cevada, aveia e trigo), feijões, milho, pão integral, lentilhas, verduras e frutas.

São indicados para serem ingeridos por pessoas antes dos treinos longos, pois eles alcançam a corrente sangüínea de forma lenta e contínua, provendo energia durante um prolongado período de tempo.

O que é índice glicêmico

Todos os carboidratos são digeridos e transformados em glicose, o combustível do organismo. Quando essa transformação é rápida, diz-se que esses alimentos possuem um IG alto. Nesses casos, a glicemia aumenta rapidamente e uma grande quantidade de insulina é secretada.

A ingestão constante de alimentos de alto IG faz o pâncreas secretar insulina continuamente para levar essa glicose para dentro das células dos músculos, onde é transformada em glicogênio. Se a ingestão de alimentos com alto IG continua, o corpo começa a converter o excesso de glicose em triglicérides, que são armazenados na forma de gordura.

Ao mesmo tempo, a secreção continuada de altos níveis de insulina cria um mecanismo de resistência no organismo. Uma das consequências é o aumento da produção de insulina.

Tem início aí um círculo vicioso: a ingestão frequente de alimentos que de elevado IG leva o organismo a se tornar resistente à insulina e a pessoa fica vez mais obesa porque quanto maior for a quantidade de glicose no sangue, mais insulina o pâncreas produz para fazer essa glicose entrar na célula para diminuir o nível sanguíneo da glicose e assim o círculo vicioso está instalado, com a resistência do organismo à glicose estabelecida. A pessoa engorda cada vez mais, isto é cada vez mais o seu nível de glicose aumenta, mais insulina é produzida e mais resistente ela fica.

Para sair deste estado, deve-se optar por alimentos de menor índice glicêmico. Assim, a insulina não será tão solicitada e a resistência diminuirá, permitindo que a glicose se mantenha em níveis menores no sangue. Isso fará diminuir também a taxa dos triglicérides.

Quando a demanda de insulina é menor, a manutenção da glicemia é melhor e há uma redução da lipidemia. Dessa maneira se consegue prevenir e tratar doenças crônicas como a obesidade, diabetes, as doenças cardíacas e até alguns tipos de cânceres.

Como surgiu a idéia de índice glicêmico?

O IG é um indicador da velocidade de transformação do carboidrato dos alimentos em glicose. Ele foi criado em 1981 com o intuito de ajudar atletas e diabéticos a manterem estáveis os seus níveis de açúcar. Para isso, elaborou-se uma tabela de 1 a 100 levando em conta a velocidade de um alimento para elevar a glicose sanguínea. Os alimentos que são convertidos em glicose mais lentamente que o pão branco, por exemplo, tem IG menor que 100. Os que são convertidos mais rapidamente do que o pão branco, têm IG que 100.

Não se deve esquecer que a resposta glicêmica está relacionada com a natureza do amido (amilose e amilopectina), a quantidade de monossacarídeos (frutose, galactose), a presença de fibras, a cocção ou o processamento, o tamanho das partículas, a presença de fatores antinutricionais (fitatos) e a proporção de macronutrientes (proteína e gordura). Além disso, essa resposta também é influenciada pela quantidade consumida e pela maneira como esse alimento é preparado.

Os pesquisadores descobriram que alimentos como o leite ou as frutas, que tem baixo IG poderiam ser acrescentados com moderação nas suas dietas, ao contrário do que se pensava. O açúcar, por exemplo, que é desprovido de vitaminas, minerais e fibras, tem IG menor que a batata.

Para que serve o índice glicêmico?

A maior parte das dietas se baseia na ingestão de pouca quantidade de carboidratos. Isso delimita um grupo de alimentos e reduz a ingestão total de calorias. Quando se consome menos calorias do que se precisa, se perde peso. Ao comer menos carboidratos, o corpo queima as gorduras e utiliza os carboidratos armazenados na forma de glicogênio para obter energia. Quando o corpo queima o glicogênio, a água é liberada das células e há perda de peso.

Queimar gorduras sem a presença dos carboidratos faz a pessoa entrar num estado denominado de cetose. Nessa condição, a pessoa tem menos apetite ou vontade de comer. A cetose prolongada pode esgotar as reservas minerais dos ossos, fazendo com que fiquem porosos e quebradiços.

Os diabéticos, os atletas, as pessoas obesas que tem uma resposta da insulina insensível ou resistente ao nível sanguíneo da glicose, se beneficiam em manter os níveis sanguíneos de glicose estáveis ou baixos, e o conhecimento do índice glicêmico é importante e portanto também útil para as pessoas que estão obesas ou que querem perder peso, mas deve-se ter em conta que o índice glicêmico não leva em conta os nutrientes do alimento, e portanto uma dieta não pode considerar somente o índice glicêmico. Saiba que os alimentos ricos em gordura devem ter um índice glicêmico baixo.

Qual é o significado de índice glicêmico na sua dieta?

Uma dieta com alimentos de baixo IG pode ajudar a perder peso, a controlar o diabetes e a aumentar a resistência aos exercícios. Portanto a observação do IG dos alimentos também é útil para as pessoas que tenham patologias inflamatórias ou degenerativas.
Os alimentos de baixo IG são mais ricos em fibras que favorecem uma maior distenção gástrica aumentando a sensação de saciedade.

Alimentos que tem um alto IG (maior que 85)

Exemplos de alimentos com alto índice glicêmico:

  • Banana, batata frita, biscoito, bolacha cream cracker e outros
  • Bolo, cenoura, frutas secas, mandioca, melancia, milho, sorvete
  • Tapioca, trigo branco e uva passa

Os carboidratos com alto IG são bons para serem consumidos durante e após os exercícios. Eles entram rapidamente na circulação sanguínea e são imediatamente disponibilizados para os músculos.

Alimentos que tem um moderado índice glicêmico (entre 60 e 85)

Os alimentos com um moderado índice glicêmico são:

  • a maioria dos macarrões, batata doce, aveia
  • chocolate, suco de laranja
  • arroz, feijão cozido, grão de centeio, ervilhas frescas, pipoca e outros

Alimentos que tem um baixo índice glicêmico (abaixo de 45)

Exemplos:

  • cereais
  • iogurte sem açúcar e sem gordura
  • maçã, pera, suco de tomate, vegetais crucíferos (couve-flor, brocolis)

Os alimentos que tem um baixo IG são bons para serem consumidos antes de se fazer exercícios. Como eles entram lentamente na circulação sanguínea, sustentam mais a longo prazo, mantém estabilizados os níveis de açúcares por períodos maiores de exercício (mais do que uma hora).

O IG e a dieta

Na hora de escolher os alimentos, o IG pode ser útil para orientar a escolha dos alimentos com a intenção de impedir que glicemia suba e desça sem controle. Dê preferência aos alimentos com baixo IG, como legumes, cevada, massa, grãos integrais e outros.

Esses alimentos possuem uma quantidade maior de fibras e uma baixa quantidade de gordura. Além disso, uma dieta rica em fibras diminui o risco de doenças do coração. Estudos mostram que para cada 10 gramas de fibras (uma xícara e meia de mingau de aveia) acrescentadas às refeições de cada dia se consegue diminuir em até 30% o risco de doenças cardíacas. Se ele tiver um IG um pouco maior ou alto, o alimento deve ser ingerido com muita fibra, justamente para diminuir a velocidade de sua absorção e assim não elevar tanto a glicemia.

A tabela do índice glicêmico

ALIMENTO IG ALIMENTO IG
Bolos 87 Cuscus 93
Biscoitos 90 Milho 98
Crackers 99 Arroz Branco 81
Pão branco 101 Arroz Integral 79
Sorvete 84 Arroz parbolizado 68
Leite integral 39 Tapioca 115
Leite desnatado 46 Feijão cozido 69
Iogurte com sacarose 48 Feijão manteiga 44
Iogurte sem sacarose 27 Lentilhas 38
All Bran 60 Ervilhas 68
Corn Flakes 119 Feijão de soja 23
Musli 80 Spaguete 59
Aveia 78 Batata cozida 121
Mingau de aveia 87 Batata frita 107
Trigo cozido 105 Batata doce 77
Farinha de trigo 99 Inhame 73
Maçã 52 Chocolate 84
Suco de maçã 58 Pipoca 79
Damasco seco 44 Amendoim 21
Banana 83 Sopa de feijão 84
Kiwi 75 Sopa de tomate 54
Manga 80 Mel 104
Laranja 62 Frutose 32
Suco de laranja 74 Glicose 138
Pêssego enlatado 67 Sacarose 87
Pêra 54 Lactose 65

Porque não levar em conta apenas o índice glicêmico na escolha dos aliemntos?

Sabe-se que a gordura lentifica a digestão.Vários alimentos como o chocolate, as salsichas, e os amendoins tem um IG baixo. No entanto, a relação desses alimentos com a obesidade e com o aparecimento de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais é bastante conhecida.

Por isso, não se deve basear uma dieta somente no IG, podendo aumentar o risco das doenças acima citadas. Além disso, O IG não leva em conta o nutriente do alimento.
Por exemplo, o IG do arroz branco é somente 3 pontos acima do integral e isso não significa que tanto faz o tipo de arroz a ser comido.

Para a escolha dos alimentos em uma dieta equilibrada deve-se levar em conta a caloria, o conteúdo de gordura saturada e os nutrientes. Existe também uma outra possibilidade de fazer uma dieta sem contar as calorias que um alimento tem e sem contar o seu índice glicêmico, que é comer os alimentos de acordo com o seu tipo metabólico (tipo sanguíneo).

O que diferencia a escolha dos aliemntos numa pessoa diabética

A escolha de alimentos para o diabético deve ser de alimentos com um baixo índice glicêmico. como legumes, cevada, massa e grãos integrais para se ter um benefício no controle do nível da glicose sanguínea.

A maioria dos alimentos com um baixo índice glicêmico tem mais fibras e pouca gordura o que é benéfico para riscos de doença cardíaca.

As refeições devem ser preferencialmente feitas com alimentos integrais, com vegetais e frutas frescas. Os alimentos de baixo IG são mais ricos em fibras e uma das teorias atesta que as fibras são boas principalmente para as pessoas diabéticas, que não possuem os mecanismos de ajuste funcionando adequadamente (a produção de insulina).

Então acontece a tão temida hiperglicemia. O açúcar no sangue permanece alto por um tempo bem mais longo pois, o diabético não consegue retirar essa glicose do sangue e utilizá-la adequadamente.

O que interefre na absorção dos alimentos?

Uma massa feita ao dente é absorvida mais lentamente que se for cozida até ficar amolecida. Deve-se ter em conta que os alimentos quando são ingeridos em conjunto numa refeição tem diferenças nas suas velocidades de absorção e portanto índices glicêmicos menores do que quando são ingeridos separadamente. Isso justifica a introdução de alimentos integrais e de fibras numa refeição.Portanto, em uma dieta para perder peso, a pessoa deve preferir os alimentos com baixo IG, que são os carboidratos ricos em fibras, as verduras, os legumes, os alimentos integrais ou então ingerir a refeição com um pouco de proteína ou lipídio (de preferencia os de origem vegetal).

Quem preferir uma dieta baseada no controle de calorias, precisa primeiro conhecer o seu gasto calórico diário para avaliar quantas calorias são necessárias para manter a sua atividade diária. Depois, deve saber quantas calorias pode ingerir por dia para perder peso. Para isso é necessário se calcular o índice de massa corpórea que servirá como um guia de cálculo da quantidade de quilos a serem perdidos ou até na hora de controle do tratamento. O ideal é que esses cálculos sejam feitos por um(a) nutricionista.

Não se deve esquecer que um exame médico é necessário para afastar e prevenir as doenças associadas a obesidade e que a dieta alimentar deve ser sempre associada a atividade física.

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