O que é fibromialgia?
publicado em 10-08-2005
| A fibromialgia é uma doença muito comum que afeta mais as mulheres que os homens em 90% dos casos, com um pico de incidência entre os 30 e os 50 anos de idade, podendo manifestar-se em crianças, adolescentes e indivíduos mais idosos. Em geral a doença acomete mais freqüentemente as pessoas de melhor nível social e educacional. Apesar das alta incidência da doença, o diagnóstico nem sempre é feito. Não há exames laboratoriais nem de imagens que possam confirmar a doença. Tem uma incidência familiar, sugerindo que exista uma pré disposição hereditária. Pode ser desencadeada por alguma infeção viral como gripe, por stress ou por algum trauma físico ou emocional. |
| A fibromialgia é uma doença que se caracteriza por dores crônicas em várias partes do corpo, por um período superior a 3 meses e pela presença de dor na palpação de 11 de 18 pontos dolorosos. As dores musculares generalizadas podem ser severas e debilitantes. A Fibromialgia não é uma doença psicossomática. A dor parece ser causada por uma tensão e espessamento da fáscia muscular (a camada que envolve os músculos). |
| Uma sensação de fadiga geral, rigidez articular, insônia e desordens do sono (o sono é superficial e não reparador: a pessoa desperta mais cansada do que quando deitou noite), ansiedade, depressão, alterações do humor, alergias, síndrome do tarso, dores de cabeça, tonturas, uma sensação de que tudo dói, sensação de dormência e formigamento, dor abdominal com momentos de prisão de ventre alternados com diarréia e uma intolerância a exercícios. |
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| É desconhecida a causa específica da fibromialgia mas, sabe-se que os níveis de serotonina são mais baixos nos portadores da doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar envolvidos em seu aparecimento. Portanto é recomendável a paciente (já que 9 entre 10 pacientes com fibromialgia são mulheres, faça uma boa investigação do funcionamento de suas glândulas. A diminuição de serotonina e de outros neurotransmissores levam a uma maior sensibilidade aos estímulos dolorosos e podem estar implicados na diminuição do fluxo de sangue que ocorre nos músculos e tecidos superficiais e a um aumento do fluxo sanguíneo no cérebro que é um indicativo de um aumento da atividade neurológica (dor) encontrados na fibromialgia. Não há sinais inflamatórios ou alguma deformidade nas articulações e os movimentos não estão limitados. |
| Embora a etiologia da fibromialgia seja desconhecida, dados recentes sugerem que existe uma falta de equilíbrio entre oxidantes e anti-oxidantes nos pacientes que tem fibromialgia. Conforme o trabalho publicado na revista Internacional de Reumatologia que compararam o status oxidativo e anti oxidativo de 85 mulheres com o de 80 homens saudáveis. Os resultados mostraram um significativo aumento de radicais livres e uma significativa diminuição dos níveis da enzima SOD (que tem uma grande capacidade anti oxidante) podem ser relacionados ao desenvolvimento da fibromialgia comprovando que mais estudos devam ser feitos. |
| As duas doenças compartilham mesmos sintomas. A síndrome da fadiga crônica apresenta a sensação de cansaço extremo como queixa principal, podendo ou não sentir dores em intensidades diferentes do que os fibromiálgicos. Já a fibromialgia têm as dores como a queixa principal, e a sensação de cansaço não é tão intensa. |
| A pessoa sente um cansaço constante, mesmo sem ter havido atividade física, que não passa com descanso. Há uma constante sensação de falta de energia. O cansaço pode ser de tal ordem que atividades tão simples do cotidiano podem se tornar tarefas extenuantes. |
| Os pacientes com fibromialgia não têm modificações importantes dos seus sintomas durante os anos. |
| Em geral se recomenda exercícios leves, mesmo que não exista nenhum estudo que demonstre que os exercícios melhorem a dor, é sabido que os exercícios físicos ajudam as pessoas a funcionar melhor, a melhorar o humor (depressão e a ansiedade) e a diminuir o cansaço. Dr. Modolsky em 1993 reportou um estudo que demonstrou uma relação de um sono irregular com sintomas musculares, provocando dores musculares ao interromper o sono, por três noites seguidas, em seis voluntários.Todos desenvolveram sintomas de fadiga generalizada e dores musculares típicas da fibromialgia. Quando o mesmo padrão de interrupção do sono foi feito em voluntários que praticavam corrida de longa distância os sintomas musculares não apareceram confirmando que a prática de exercícios é benéfica na recuperação muscular de pessoas que tem fibromialgia. |
| Recomenda-se uma mudança na dieta discutida no artigo publicado pelo Dr. Logan que consiste em não ingerir toxinas como o glutamato monosódico, em aumentar a ingestão de alimentos que diminuam o potencial inflamatório, melhorar o stress oxidativo e melhorar a flora intestinal . No encontro anual do Colégio Americano de Nutrição realizado na Florida em Outubro de 2001, um estudo demonstrou que após a eliminação por duas semanas de alimentos como o milho, trigo, leite e açúcar quase a metade dos pacientes investigados relataram uma redução significante da dor e uma redução de seus sintomas como dores de cabeça, fadiga, azia, arrotos e gases que voltaram quando esses alimentos forma re-introduzidos. |
| No encontro anual da Sociedade Americana de Reumatologia realizado em São Francisco, em 12 de Novembro de 2001, foi relatado um estudo onde pesquisadores dividiram em três grupos, 60 pacientes com fibromialgia. Todos os três grupos receberam amitriptilina (anti-depressivo tricíclico) diariamente ao deitar, por 16 semanas. Além disso, o segundo grupo fez acupuntura uma vez por semana e o terceiro grupo fez acupuntura em pontos escolhidos ao acaso, também uma vez por semana. Pacientes foram avaliados mensalmente, durante essas dezesseis semanas, em relação aos seus níveis de dor, a qualidade de vida e a depressão. Os pesquisadores relataram que o grupo que recebeu a verdadeira acupuntura foi o único que mostrou uma significativa redução na intensidade da dor, da depressão, logo após o primeiro mês. |
| Os exercícios de fortalecimento muscular e os exercícios aeróbicos de baixo impacto são muito úteis para aumentar o limiar de dor, apesar de que se pode levar alguns meses até que se sinta algum benefício e os exercícios de alongamento devem sempre em geral ser feitos por 10 minutos antes e depois de qualquer exercício aeróbico. Pacientes com fibromialgia ao fazerem parte de um programa de fortalecimento muscular, sentiram uma melhora na sua capacidade vital, sem que houvesse um aumento específico no limiar da dor e os exercícios que aumentam a flexibilidade também melhoraram, mas em menor grau, a capacidade vital das pessoas com fibromialgia mas não mostraram diferenças significativas entre os dois grupos, de acordo com o estudo duplo cego que compararam pessoas que fizeram exercícios de fortalecimento muscular com pessoas que fizeram exercícios para aumentar a flexibilidade muscular.
Já a revisão feita confirmou que um programa de exercícios para indivíduos com fibromialgia tem a capacidade de melhorar a condição física, e de diminuir as dores nos pontos sensíveis e que a melhora persistiu por dois anos após os exercícios estimulando a prática de exercícios como andar, nadar, ou exercícios aeróbicos de baixa intensidade foram um dos poucos tratamentos eficazes . |
| Técnicas que são capazes de relaxar e de diminuir o stress são muito úteis na redução de dores crônica, especialmente para as pessoas que tem fibromialgia que em geral tem uma resposta aumentada ao stress dos conflitos diários por isso os exercícios de meditação, massagem, técnicas de respiração e a ioga são benéficas. |
| Existem muitos estudos sendo realizados para entender o que acontece com o cérebro de uma pessoa que tem fibromialgia. Sabe-se que uma pessoa com fibromialgia tem uma menor circulação nas partes do cérebro que controlam a memória e os movimentos musculares do corpo vistas num SPECT scan. Além disso, a substância P que aumenta a sensibilidade das dores de nervos se encontra em níveis aumentados nos líquidos cerebrais e existe uma deficiência da serotonina, um neurotransmissor que influencia no sono e na sensação de dor. |
| A depressão é comum na fibromialgia, mas nem todos os pacientes com fibromialgia apresentam depressão. A fibromialgia altera a regulação de neurotransmissores do Sistema Nervoso Central, como por exemplo a serotonina e a noradrenalina que estão envolvidas com a depressão6. Existem vários antidepressivos no mercado, cada um com seu perfil de ação (para pessoas que têm insônia, para pessoas que sentem muito sono, para quem come demais quando está nervoso, para quem perde o apetite). Uma das medicações mais usadas é a amitriptilina, que age sobre a serotonina, numa dose suficiente para haver uma melhora do sono e da dor, mas não da depressão. Para ter uma ação antidepressora, a dose tem que ser mais alta do que a habitualmente usada. O médico juntamente com o paciente decidirão juntos se é necessário aumentar a dose ou se uma outra medicação deve ser usada.
Para o tratamento da depressão pode-se usar os antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina. A depressão geralmente está relacionada com as dores de cabeça e com a baixa do nível de serotonina e frequentemente respondem as medicações que aumentam o nível da serotonina. Uma outra maneira de tratar é usando o aminoácido triptofano (usado na síntese da serotonina) para aumentar o nível da serotonina como demonstrou o Dr. Federigo Sicuteri da Universidade de Florença no seu trabalho sobre a melhora da dor miálgica com substâncias que tem ação de aumentar a serotonina confirmados por vários outros trabalhos científicos . |
| Normalmente as pessoas com insonia não desenvolvem sintomas de fibromialgia. Porque? Estudos mostram que as “usuais” insonias não tem um padrão de alteração da onda delta encontrada nos pacientes que tem fibromialgia. Quando o sono se interrompe a pessoa experiencia um “acordar” e há um certo aumento da excitação nervosa e não é o que acontece com o paciente que tem fibromialgia.
O sono nos pacientes que tem fibromialgia não é reparador e as queixas dos distúrbios de sono estão relacionadas com dados da polisonografia mostrando anormalidades na continuidade e na arquitetura do sono. De acordo com o estudo analítico de 24 pacientes com fibromialgia tendem a ter a fase REM do sono reduzida e a fase não REM do sono aumentada. No sono normal, ciclos de 90 minutos passam por estágios de onda alfa (estágio 1 de sono leve) e o sono vai se aprofundando progressivamente passando pelos estágios 2, 3, 4 ou beta, gama e delta até o estágio REM que é o estágio mais profundo do sono. Os três últimos estágios são conhecidos como estágios não REM, que são sem sonhos. Nas fases de sono profundo a pessoa relaxa mais. Faltando estas fases, o paciente que já apresenta a musculatura contraída não consegue relaxar, e isso leva a uma piora do ciclo dor-contração muscular-dor. Nos pacientes com fibromialgia, os estágios 3 e 4 tem distúrbios não acontecem por períodos longos e tem um “estado de sono vigilante”. Por outro lado, as pessoas que tem uma falta de ondas lentas no sono podem desenvolver sintomas de fibromialgia. Quanto mais dor uma pessoa com fibromialgia sente, menos reparador é o sono. Portanto é muito importante que o paciente com fibromialgia melhore a qualidade de seu sono e para isso algumas medidas podem ajudar como: diminuir a ingestão de estimulantes como café, chocolate e chá a noite, tentar manter um horário regular para dormir e acordar, tomar um banho de preferência de imersão quente antes de dormir, fazer exercícios de alongamento e relaxamento antes de dormir e diminua a ingestão de líquidos após as 18:00 horas, para diminuir o ter que levantar para urinar. O quarto de dormir deve ser escuro e silencioso e a televisão não deve estar no quarto. |
| Quando a pessoa está no estágio delta de sono profundo acontecem reparos no sistema imune do corpo e o hormônio de crescimento é liberado pela hipófise. Esse hormônio tem um direto efeito na musculatura do corpo. A sua deficiencia está relacionada com a maioria dos sintomas musculares da fibromialgia. A produção do hormonio de crescimento pode ser aumentada com o jejum assim como um estado de meditação (relaxamento) profundo. Além disso, desequilíbrios hormonais e alterações menstruais são comuns nas pacientes com fibromialgia e algumas tem uma baixa função tireoidea . Pesquisas também demonstram anormalidades no eixo do hipotálamo com a hipófise e com a glândula adrenal, que controla importantes funções ligadas ao stress, a depressão e ao sono. Essas alterações incluem uma baixa na produção do hormônio cortisol e da noradrenalina que são hormônios importantes, relacionados ao stress. Na depressão, os hormônios do stress estão aumentados e uma deficiência pode dar respostas diminuídas em situações de stress emocional ou fisiológico, como em infecções ou exercícios. Uma pessoa com fibromialgia tem portanto um desequilíbrio neuroendócrino. |
| Um estudo realizado na Turquia demonstrou que a balneárioterapia é efetiva ve pode ser um bom método alternativo para tratar pacientes com fibromialgia e os pacientes se queixaram menos de dor, ansiedade e tiveram menos dificuldades nas atividades do cotidiano. |
| Artrite e Reumatismo 2002;46:1333-1343. Rheumatol Int 2003 Dec 20. Annals of Rheumatic Disease 2001; 60: 21-26. Moldofsky H Fibromyalgia, sleep disorder and chronic fatigue syndrome Ciba Foundation Symposium 173 Chronic Fatigue Syndrome p 262-270 1993. Comp. Health Pract. Rev.2003;8(3):234-235. J Rheumatol. 2002 May; 29(5):1041-8. Curr Opin Rheumatol. 2004 Mar;16(2):138-42. Review. J. Int. med. res. 18(1990):201-9. Acta fisiátrica 2000;7 (2):56-60. Exp Biol Med 398 (1996) 351-7. J inter Med Res 18 (1990):201-9. 10 J inter Med Res 20 (19092): 182-9. Pain 64 (1996):211-9. Neurophysiol Clin. 2001 Feb;31(1):18-33. J Rheumatol 1992 Jul;19(7):1120-2. Rheumatol Int. 2002 Jun;22(2):56-9. |
